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Entre os peixes perdidos e uma cobra.

:::::::Para dizer a verdade, eu nunca gostei de pescar, mas sempre ia com um tio para um rancho que ficava na beira do rio Paraná.
Era muita tranquilidade ficar lá tomando uma cerveja, ouvindo o barulho do rio e dos pássaros e... bom os cachorrinhos eram irritantes... à noite, incomodavam mais que os pernilongos.
Certo dia de final de semana, parti na euforia do meu primo e fomos de bote para dentro do imenso rio Paraná. Eu nem acreditei que estava indo em direção à pescaria mais doida da minha vida – até porque ainda não havia visto uma pescaria normal.
:::::::Tudo bonito e arrumado no barco. Porém, no meio da ceva, varas aos montes e de vários tipos (preparadas para os diversos tipos de peixes) e anzóis chumbados a rodo, ecoou uma pergunta: “Cadê o balde de isca?”. Cara, esquecer a isca na pescaria é a mesma coisa que esquecer a bola na hora do jogo. “Tá! volta tudo”. Em pescaria nada estressa.
Com as iscas em mãos para completar a pescaria, tocamos pra cerva e sem perde tempo o piloteiro disparou.
Já apoitado e tudo certo, o silêncio prevaleceu mesmo entre o som de abertura das latinhas e alguns ruídos e xingamentos.
Bom, queimado do sol porque faltou o protetor e felizes pela cerveja, a pescaria começou a render, rendeu um, dois, três, quatro e cinco tucunarés. Pode pensar: “Eita pô!” Porém, seria muito bom se o maior de todos não tivesse pulado mais que a Daiane dos Santos do barco e voltasse para água.
- Oh, caramba! Ninguém deu conta de segurar o peixe?
- Putz, tio! Passou no meio da minha perna.
De repente, pegamos outro dentro da medida: “Huhuuu! Lindo esse, hein! Segura que é fera; eu sou f... meu, haha!”.
:::::::O tempo passa e uns dez minutos de briga bastaram para o peixe ficar preso numa rede que estava enrroscada numa galhada com uma sucuri toda enrolada ali. Pronto: bateu o desespero para puxar o peixe dali. O peixe até que brigava e o galho mexia, mas a cobra não estava nem aí – e nada funcionava. No fim, a vara de bambu quebrou e acabamos perdendo mais um peixão. Nesse instante, surgiu mais uma boa pergunta: “Meu, o tempo todo essa cobra estava aí e nós nem vimos!”. Disparam-se risos e a curiosidade de todos no barco.
"Bom, eu que nunca fui fã de pescaria me diverti um monte e rolei de rir com esses parceiros". De doze peixes, voltamos com apenas dois para o rancho – e ainda queimados pelo sol. Tivemos, então, que fazer o povo da família que estava na casa acreditar em toda essa história, como se isso fosse para rir né!

Alessandro A. de Souza

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